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RBR na 78ª Reunião Anual da SBPC: debates sobre ciência aberta, integridade e políticas científicas em Niterói

Foto do escritor: Débora de Oliveira Santos
Débora de Oliveira Santos
há 11 minutos
4 min de leitura

Entre os dias 26 de julho e 1º de agosto de 2026, o campus Gragoatá da Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói (RJ), recebeu a 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Considerada a maior reunião científica da América Latina, a 78ª Reunião Anual da SBPC teve como tema "Ciência para todos: soberania, desenvolvimento e inclusão".


A Rede Brasileira de Reprodutibilidade (RBR) esteve presente ao longo de toda a semana, representada pela diretora executiva Débora de Oliveira Santos, que acompanhou debates sobre ciência aberta, integridade científica, financiamento à pesquisa e equidade.




A semana começou com a Sessão Solene de Abertura, realizada no auditório da Estação Cantareira no domingo (26). A Sessão reuniu autoridades científicas, acadêmicas e políticas, que reforçaram o papel central que o desenvolvimento científico possui para a soberania nacional e para a inclusão social. A solenidade também prestou homenagem ao geógrafo Milton Santos (1926–2021), um dos maiores intelectuais brasileiros do século XX, destacado pelos seus estudos sobre urbanização e globalização.


Na segunda-feira (27), ocorreu uma Sessão Especial em homenagem aos 75 anos do CNPq e da CAPES, com a presença de Olival Freire Junior (CNPq), Denise Pires de Carvalho (CAPES) e Francilene Procópio Garcia (SBPC). A Sessão Especial resgatou a trajetória das duas instituições, com destaque para a importância das duas instituições no financiamento de infraestruturas, projetos e, principalmente, formação de recursos humanos na ciência brasileira. Ainda na segunda, a nossa diretora executiva também acompanhou a mesa-redonda "Inteligência Artificial na Publicação Científica: Transparência, Integridade e Novos Paradigmas", com Brenno Amaro da Silveira Neto (UnB), Célia Machado Ronconi (UFF) e André Silva Pimentel (PUC-Rio), na qual foram discutidos os diferentes impactos da inteligência artificial na publicação e revisão por pares.



Já na terça-feira (28), a nossa diretora executiva esteve presente na mesa-redonda "Reescrevendo o Futuro da Ciência: Editais de Fomento que Rompem Desigualdades", que contou com a presença de Denise Pires de Carvalho (CAPES), Michel Chagas (Instituto Serrapilheira), Maria Fernanda Pimentel Avelar (FACEPE) e Caroline Alves da Costa (FAPERJ). A sessão discutiu as assimetrias sociais na ciência brasileira e as diferentes estratégias empregadas pelas agências de fomento para promoção da equidade no acesso ao financiamento de pesquisa. Ainda no eixo das instituições de fomento à pesquisa, a nossa diretora executiva acompanhou as sessões da CONFAP na quarta-feira (29). O presidente da CONFAP, Odir Dellagostin (UFPel), apresentou dados sobre a evolução do financiamento de pesquisa pelas FAPs brasileiras e o seu papel no desenvolvimento científico regional – sessão que foi seguida de uma homenagem aos 20 anos da CONFAP.


Ainda na quarta-feira (29), estivemos presentes na mesa-redonda "Colaboração entre Editoras, Instituições e Organizações para Fortalecer Práticas de Integridade", que reuniu  Abel Packer (SciELO) e Edna Frasson de Souza Montero (ABEC) – membros da RBR –, além de Carlos Frederico Martins Menck (USP) e João Pildervasser (Springer Nature). A mesa discutiu a valorização dos periódicos brasileiros, reforçando a importância das infraestruturas nacionais de pesquisa. Nesse mesmo sentido, a mesa-redonda "Soberania de Dados e Gestão da Informação Científica" – com Verena Hitner Barros (Unicamp), Sergio Amadeu da Silveira (UFABC) e Marcelo Fornazin (Fiocruz) – discutiu o papel central da abertura de dados científicos para o desenvolvimento e soberania nacionais.



Já na quinta-feira (30), a RBR esteve presente nas atividades do Instituto Serrapilheira, instituição-membro e financiadora da Rede. O dia começou com a gravação ao vivo do podcast Ciência Suja, "Ciência aberta: entre tretas, contradições e promessas". Com a moderação de Chloé Pinheiro, a gravação contou com a participação de membros da RBR: Luiz Augusto Campos (IESP-UERJ), representante da revista Dados, e Clarissa Carneiro, ex-diretora executiva da RBR e hoje representante do Instituto Serrapilheira. Eles discutiram os diferentes caminhos que a ciência aberta pode assumir. O dia seguiu com a mesa-redonda "Interdisciplinaridade: perguntas fundamentais e seu lugar no sistema nacional de CT&I" e com a sessão especial "Tarde de Fracassos: os erros fazem parte da ciência", conduzida por Kléber Neves (Instituto Serrapilheira) – sessões que deram destaque às diferentes trajetórias e experiências na pesquisa.


Fechando a programação da Rede naquele dia, nossa diretora executiva acompanhou a mesa-redonda "O Papel das Infraestruturas Nacionais de Ciência Aberta na Construção da Soberania Científica", promovida pela Sociedade Brasileira de Computação (SBC) – também membro da Rede. A mesa contou com a participação de José Viterbo Filho (UFF, representante da SBC na Rede), Andréa Carvalho Vieira (CAPES) e Lisandro Zambenedetti Granville (RNP), discutindo o desenvolvimento de infraestruturas de ciência aberta no Brasil.



Ao longo da semana, a RBR também participou da SBPC Jovem. Com espaço cedido no estande da Fiocruz – instituição-membro da Rede –, levamos para a SBPC Jovem recursos didáticos desenvolvidos por Marvin Lins (UFMT), embaixador na coorte 2025–2026, e por Victor Silva (UFAL). Com foco em temas como método científico, rigor metodológico, ciência aberta e reprodutibilidade, os recursos foram desenvolvidos especialmente para estudantes da educação básica e foram um importante facilitador na interação com crianças e adolescentes sobre como se faz ciência. 


A passagem da RBR pela 78ª Reunião Anual da SBPC reforça o quanto ciência aberta, integridade e reprodutibilidade são importantes na agenda científica nacional, estando presentes em mesas sobre financiamento, avaliação de periódicos, soberania de dados e infraestruturas de pesquisa.

A semana também foi marcada por reencontros com membros e parceiros institucionais da Rede – como a ABEC, a SciELO, o Instituto Serrapilheira, a SBC e a revista Dados – e pelo contato direto com novos públicos na SBPC Jovem, onde recursos educativos desenvolvidos por integrantes da RBR aproximaram crianças e adolescentes do método científico. Espaços institucionalizados como a SBPC são centrais para discutir o futuro do ecossistema científico brasileiro, não só pela capacidade de abarcar diferentes públicos e áreas, mas também por promover debates voltados a como a ciência ocupa um papel importante para a soberania, o desenvolvimento e a inclusão no Brasil.



 
 
 

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