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Três anos de RBR: o que um fundador, um membro e um financiador têm a dizer

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    Rede Brasileira de Reprodutibilidade
  • há 4 dias
  • 4 min de leitura

A Rede Brasileira de Reprodutibilidade completa três anos em 2026. Para celebrar essa trajetória, conversamos com três pessoas que a vivenciaram sob ângulos bem diferentes: Olavo Amaral, fundador da Rede; João Barreto II, membro individual; e Kleber Neves, representante do Instituto Serrapilheira, um de nossos financiadores.

Pedimos que cada um respondesse, à sua maneira, três perguntas: por que criar e apoiar a RBR, qual o papel da Rede no ecossistema de pesquisa brasileiro e quais os impactos que enxergam para além da própria Rede.

Por que criar e apoiar a RBR?

A RBR nasceu como desdobramento de outro projeto. Como conta Olavo Amaral, a experiência bem-sucedida da Iniciativa Brasileira de Reprodutibilidade — tanto em reunir colaboradores pelo Brasil quanto em ganhar visibilidade dentro e fora do país — revelou um potencial ainda maior. O lançamento de redes semelhantes em outros países, como a UKRN no Reino Unido, deu um modelo a seguir e, em pouco tempo, a RBR já estava sendo convidada para eventos internacionais de redes de reprodutibilidade, mesmo antes de ela própria se constituir formalmente como uma.

Olavo diz: “Nos demos conta de que tínhamos capital humano para tentar construir algo que transcendesse o projeto de replicação em si”.

Para João Barreto, o caminho até a RBR passou pela convergência entre três frentes que ele já vinha trilhando: edição científica, medicina baseada em evidências e pesquisa em metaciência. O contato com Olavo Amaral, ainda à frente da Iniciativa Brasileira de Reprodutibilidade, durante falas sobre ciência aberta na pandemia, fechou esse círculo.

João diz: “Notei que havia um senso de comunidade e de propósito nessas múltiplas iniciativas [...]. Juntar esforços me pareceu o caminho natural.”

Do lado do financiamento, Kleber Neves explica que a aposta do Instituto Serrapilheira na RBR foi consequência direta do reconhecimento de valor da Iniciativa, que o Instituto já apoiava desde seus primeiros anos.

Kleber Neves (Serrapilheira)
Kleber Neves (Serrapilheira)
Kleber diz: “Conforme o fim do projeto se aproximava, [...] a conversa sobre o futuro da Iniciativa culminou no entendimento de que o ganho mais permanente era a rede de laboratórios e pessoas em torno dos temas de reprodutibilidade e ciência aberta. Entendemos, então, que essa articulação tinha valor por si só.”

Qual o papel da RBR no ecossistema de pesquisa brasileiro?

Olavo descreve sua forma de criar projetos em rede como um processo de reunir pessoas com uma visão inicial para depois ver o que emerge.

Olavo diz: “Existe um valor intrínseco em simplesmente colocar pessoas — e grupos, e instituições — para conversar sobre um tema e pensar em projetos coletivos. Mas é importante que o objetivo da conversa seja sair com um projeto concreto que não poderia ser executado pelas pessoas isoladamente.”

Ele reconhece, porém, que a Rede cresceu mais rápido do que esperava — o que traz à tona perguntas em aberto sobre formalização institucional, sempre equilibradas pelo desejo de preservar o “espírito de projeto nascido na comunidade”.

João destaca um aspecto mais amplo e sociopolítico. A RBR, ao dialogar com o governo federal sobre ciência aberta, sinaliza à comunidade científica brasileira que essas práticas não são apenas uma pauta ética, mas também uma questão de uso responsável de recursos.

João Barreto II (Membro individual)
João Barreto II (Membro individual)
João diz: “Recursos e insumos não são infinitos; então, precisamos alocar recursos em pesquisas que gerem resultados confiáveis.”

Esse esforço, segundo ele, gera pressão contínua por melhores práticas editoriais — já formalizada nas recomendações da RBR a periódicos nacionais.

Para Kleber, o que torna a RBR um exemplo relevante para o Instituto é justamente a combinação de três características que o Serrapilheira busca em iniciativas de mudança de cultura científica: alinhamento com seus valores, disposição para inovar e capacidade de articulação e capilaridade para acompanhar essas discussões com profundidade.

Quais os impactos para além da própria Rede?

Olavo reconhece que a RBR tem potencial de viabilizar pesquisa em metaciência em escala maior, mas reconhece que esse potencial ainda está por ser plenamente realizado. Sobre um possível impacto nas práticas das pessoas que passaram pela Rede, ele sugere a criação de um projeto de pesquisa focado nisso, dado que redes de reprodutibilidade têm proliferado rapidamente pelo mundo e esse tipo de estudo de impacto seria bastante interessante.

João diz ver esse impacto se replicando concretamente em sua própria prática — incluindo pré-registro obrigatório de protocolos e planos de gestão de dados para todos os projetos do grupo.

João diz: “A partir da experiência na RBR, decidi que o meu grupo de pesquisa terá critérios de ingresso e permanência ancorados por ações concretas em ciência aberta e reprodutibilidade”

Kleber, por sua vez, diz que, para o Serrapilheira, apoiar iniciativas como a RBR é uma forma de multiplicar os próprios esforços do Instituto, que tem muitas frentes de atuação e nem sempre consegue se envolver diretamente com todas elas.

O que não esperávamos

Perguntamos também a Olavo, especificamente como fundador, o que mais o surpreendeu ao longo desses três anos. A resposta toca no desafio constante de equilibrar centralização (para fazer as coisas acontecerem) com a participação de todos os membros nas decisões.

Olavo Amaral (Fundador e coordenador)
Olavo Amaral (Fundador e coordenador)
Olavo diz: “Manter a participação de todo mundo é bem desafiador e envolve um esforço contínuo de ver se a gente está no ponto certo. As coisas andaram mais rápido do que eu esperava em 2023 (...) o grau de interesse de financiadores e instituições em se envolver com a Rede me surpreendeu.”

Ele atribui parte disso ao fato de o Brasil já ter uma comunidade estruturada em torno de ciência aberta — um terreno fértil que a RBR pôde aproveitar para pôr a reprodutibilidade no centro do debate nacional.

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As respostas aqui resumidas são apenas uma fração do que Olavo, João e Kleber compartilharam conosco. Para ler as três entrevistas na íntegra, baixe o PDF completo aqui.

Agradecemos imensamente aos três por dividirem essa trajetória com a Rede. Que os próximos três anos tragam ainda mais vozes para essa conversa!



 
 
 

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