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Três anos da Rede Brasileira de Reprodutibilidade: o que construímos juntos

  • Foto do escritor: Rede Brasileira de Reprodutibilidade
    Rede Brasileira de Reprodutibilidade
  • 1 de jun.
  • 4 min de leitura

A Rede Brasileira de Reprodutibilidade (RBR) completa três anos em 2026. Quando olhamos para trás, para o momento em que a Rede surgiu como uma aposta coletiva de pesquisadoras e pesquisadores comprometidos com uma ciência mais transparente e confiável, é difícil não sentir um misto de orgulho e gratidão — por tudo que foi construído e por todas as pessoas que tornaram isso possível.

Este post é uma celebração. Mas também é um convite à reflexão: o que fizemos, o que aprendemos e para onde vamos.

2023: de onde viemos

Spin-off da Iniciativa Brasileira de Reprodutibilidade, a RBR nasceu em 2023 como uma organização multiinstitucional e multidisciplinar com um objetivo claro: promover práticas de pesquisa abertas, transparentes e reprodutíveis na comunidade científica brasileira. O começo foi enxuto, voluntarioso e cheio de energia — e logo ficou claro que havia demanda real por esse tipo de articulação no país.

2024: o ano das primeiras grandes apostas

Em 2024, a RBR completou seu primeiro ano e deu passos que definiriam sua trajetória.

O Instituto Serrapilheira concedeu o primeiro grande financiamento — cerca de R$ 200 mil — e contratamos Clarissa Carneiro como primeira diretora executiva, dando à Rede capacidade operacional para crescer. Publicamos nosso primeiro documento de relevância nacional, com recomendações para práticas de ciência aberta na avaliação de programas de pós-graduação, apresentado diretamente ao Conselho Técnico-Científico da CAPES.

Nos tornamos membros da CoARA, participamos da 5ª Conferência Nacional de CT&I e da 76ª Reunião Anual da SBPC e lançamos o Programa de Embaixadores — uma das iniciativas mais importantes para a expansão da Rede. Em dezembro, realizamos nossa primeira eleição para coordenação e o evento presencial de abertura da primeira coorte de embaixadores, na UFRJ.

2025: o ano da consolidação (e das lições)

Se 2024 foi o ano das primeiras apostas, 2025 foi o ano em que a Rede cresceu de verdade.

Começamos o ano com um novo financiamento de cerca de R$ 200 mil da Fundação José Luiz Setúbal. A RBR também passou de 40 para aproximadamente 100 membros, com a criação de novas categorias: seis periódicos científicos aderiram à Rede — fruto do GT Periódicos e das Recomendações para Reprodutibilidade em Periódicos, desenvolvidas com SciELO Brasil e ABEC —, e sete sociedades científicas tornaram-se membros, resultando em iniciativas como um prêmio para ciência aberta em parceria com a FeSBE em 2026.

A Eduarda Centeno assumiu a Direção de Comunidade e Articulação Política e a Débora Santos a de Metaciência e Treinamento. A segunda coorte do Programa de Embaixadores foi recebida em um evento de três dias em Florianópolis, com 19 selecionados entre 56 candidaturas.

No eixo de articulação política, publicamos carta aberta ao CNPq, solicitamos a inclusão de preprints no Lattes, representamos a Rede no Metascience 2025 em Londres e na 77ª SBPC em Recife e passamos a integrar a Global Federation of Reproducibility Networks. Em metaciência, apoiamos 9 projetos via chamada interna, com cerca de R$ 56 mil distribuídos.

O ano também trouxe reconhecimentos importantes: a Iniciativa Brasileira de Reprodutibilidade recebeu o Einstein Foundation Award — 100 mil euros que contribuem para a sustentabilidade da Rede — e nossa diretora Eduarda Centeno foi contemplada com o Prix Science Ouverte de la Thèse, prêmio francês de destaque em ciência aberta.

Nos bastidores, revisamos os Termos de Referência, criamos o Comitê de Conduta e o Conselho Externo, publicamos o manuscrito sobre a Rede no SciELO Preprints e fechamos parcerias com FORRT, Science Integrity Alliance e JoVE. O site cresceu 90% em visualizações, chegamos a ~2.000 seguidores no Instagram e a newsletter tem 456 assinantes com 56% de taxa de abertura.

Crescer rápido tem um custo: algumas iniciativas ficaram em segundo plano e sentimos as pressões de uma transição de equipe. O principal aprendizado foi claro — crescimento sustentável exige estrutura sólida, prioridades definidas e responsabilidades bem distribuídas. Levamos isso para 2026.

2026: o que já conquistamos

O ano ainda está no meio, mas já temos muito a celebrar.

Em janeiro, a RBR tornou-se signatária da DORA (San Francisco Declaration on Research Assessment), reforçando nosso alinhamento com a reforma na avaliação científica. Em março, Olavo Amaral esteve em Berlim para receber o Einstein Foundation Award em nome da Iniciativa Brasileira de Reprodutibilidade.

Lançamos as 10 Recomendações para uma Ciência Aberta e Reprodutível na Pós-Graduação — fruto do GT PPGs —, apresentadas em webinário no Portal Periódicos CAPES e já em ampla divulgação junto a programas de todo o Brasil. Demos início a uma série de webinários mensais sobre ciência aberta e reprodutibilidade, com o primeiro sobre Revisão por Pares Aberta (165 inscritos), o segundo sobre Metaciência e o terceiro sobre Avaliação Responsável da Pesquisa. Estão previstos mais três webinários sobre Software Aberto, Inteligência Artificial & Reprodutibilidade e Dados Abertos (acompanhe aqui nosso calendário de atividades).

Nossa nova Coordenação tomou posse, com renovação de representantes de grupos, sociedades, periódicos e membros individuais. A Universidade Federal de Goiás tornou-se nossa primeira universidade federal-membro. E em maio, tivemos aprovado um grant da Fundação Templeton, uma importante diversificação das nossas fontes de financiamento (mais informações em breve no nosso blog!).

Em maio, participamos do WCRI 2026 (World Conference on Research Integrity), em Vancouver. Eduarda Centeno, já parte do conselho da INOSC, passou a integrar o Conselho Consultivo do GRIOS (Global Research Initiative on Open Science) e o nosso coordenador Ricardo Ceneviva foi selecionado para o comitê de direção da DORA - nos colocando em diálogo com atores importantes no mundo todo. 

Agora, estamos nos organizando para acolher a terceira coorte do Programa de Embaixadores, com chamada aberta até 20 de junho e para discutir nossos planos para o segundo semestre de 2026 com o nosso Conselho Externo! Muito mais vêm por aí - fiquem ligados nas nossas redes sociais e no nosso canal no Zulip!

Uma palavra de gratidão

Três anos de RBR são, acima de tudo, três anos de pessoas. De pesquisadoras e pesquisadores que acreditaram que valia a pena investir tempo e energia numa rede que ainda estava se inventando. De embaixadores que levaram a reprodutibilidade para além dos grandes centros. De membros institucionais que toparam se comprometer com uma agenda coletiva. De apoiadores que enxergaram o potencial antes que ele fosse evidente.

A Rede não é uma organização abstrata. É a soma de quem a compõe. Obrigada a todos que a compõem!

Acesse nossos relatórios anuais aqui.



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